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Ataque de Pânico ou Infarto? Como diferenciar os sintomas físicos

Uma dor aguda no peito, o coração batendo tão rápido que parece que vai saltar pela boca, falta de ar e um formigamento que sobe pelo braço. Para quem vivencia esses sintomas de forma súbita, o pensamento é quase sempre o mesmo: “Estou tendo um infarto e vou morrer”.

O medo é absoluto e, com muita razão, a pessoa corre para a emergência do hospital mais próximo. Chegando lá, após a realização de um eletrocardiograma e exames de sangue, o médico dá o veredito: “O seu coração está perfeito. O que você teve foi um ataque de pânico”.

Se você já passou por isso, sabe como essa frase pode gerar alívio, mas também muita confusão. Afinal, como a mente pode causar uma dor física tão real? Entender a diferença entre essas duas emergências é o primeiro passo para perder o medo e buscar o tratamento correto.

O que causa um Ataque de Pânico?

O ataque de pânico é uma resposta extrema e desproporcional do corpo a um alarme falso de perigo. O cérebro, por motivos de sobrecarga emocional, estresse crônico ou desequilíbrio químico, entende que você está sob uma ameaça de morte iminente e libera uma descarga maciça de adrenalina na sua corrente sanguínea.

O corpo se prepara instantaneamente para “lutar ou fugir”. É essa tempestade química que causa todos os sintomas aterrorizantes que você sente no momento. Quando esses ataques se tornam recorrentes e a pessoa passa a viver com medo constante de ter uma nova crise (a chamada ansiedade antecipatória), diagnosticamos a Síndrome do Pânico.

Sintomas que confundem o pânico com o infarto

A confusão não acontece por acaso. A biologia do ataque de pânico “imita” perfeitamente um problema cardíaco. Os sintomas em comum incluem:

  • Dor ou aperto no peito.
  • Palpitações intensas (taquicardia).
  • Sensação de sufocamento ou falta de ar.
  • Suor frio e tremores.
  • Formigamento ou dormência, frequentemente no rosto e nos braços.

Como saber se é ansiedade ou um problema cardíaco?

Embora os sintomas sejam parecidos, existem algumas características clínicas que ajudam a diferenciar um quadro do outro:

1. A duração da crise (A Regra de Ouro) Um ataque de pânico atinge o seu pico de intensidade muito rápido, geralmente em cerca de 10 minutos, e depois começa a perder força gradativamente conforme o corpo metaboliza a adrenalina. Já a dor do infarto costuma ser persistente, durando mais tempo e piorando progressivamente, sem ceder.

2. O tipo de dor No ataque de pânico, a dor no peito costuma ser descrita como uma “pontada” aguda ou um aperto localizado que pode piorar ao respirar fundo. No infarto, a dor é frequentemente descrita como um “peso esmagador” no centro do peito, que tende a irradiar para o braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas.

3. O gatilho (Esforço físico) Um infarto frequentemente (embora nem sempre) ocorre após um esforço físico intenso. O ataque de pânico, por outro lado, pode acontecer quando você está em total repouso — assistindo TV, lendo um livro ou até mesmo dormindo (pânico noturno).

Atenção: Se você nunca teve um ataque de pânico antes, pertence a grupos de risco (como hipertensos, diabéticos ou idosos) e sentir dor no peito, a regra é clara: busque um pronto-socorro imediatamente. É sempre mais seguro descartar o infarto com exames médicos do que tentar adivinhar sozinho.

Fui ao pronto-socorro e o coração está bem. O que fazer agora?

Muitos pacientes relatam que, ao ouvir do plantonista que “é só psicológico”, sentem-se invalidados. A verdade é que não é “só psicológico”; os sintomas físicos que você sentiu foram totalmente reais. A diferença é que a origem do problema não estava no músculo do coração, mas sim na química e no funcionamento do seu cérebro.

Voltar para casa sem um plano de tratamento é um risco, pois a Síndrome do Pânico é altamente paralisante. É neste momento que o acompanhamento especializado muda tudo.

Com a minha abordagem unindo Psiquiatria e Psicologia, trabalharemos em duas frentes:

  1. Psiquiatria: Avaliar a necessidade de uma medicação segura para estabilizar a química cerebral, cessando os ataques imediatamente e devolvendo a sua paz.
  2. Psicologia (Psicoterapia): Entender as origens dessa sobrecarga, mapear os seus gatilhos e ensinar técnicas de ancoragem para que você recupere a confiança no seu próprio corpo e deixe de ter medo de viver.

Você não precisa continuar refém do medo de ter uma nova crise.