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Por muito tempo, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) foi considerado uma condição exclusiva da infância, associada à imagem do menino agitado que não conseguia ficar sentado na escola. Hoje, a ciência sabe que o TDAH não desaparece com a idade na maioria dos casos.
Muitos adultos chegam ao meu consultório exaustos, frustrados com o próprio desempenho e carregando ao longo de anos o rótulo injusto de “preguiçosos” ou “desinteressados”. Receber o diagnóstico de TDAH na vida adulta, muitas vezes, traz um profundo alívio: finalmente há uma explicação neurobiológica para desafios que sempre pareceram impossíveis de superar.
No adulto, a “hiperatividade” física que vemos nas crianças costuma se transformar em uma inquietude mental. É como ter um cérebro que funciona como uma televisão com dezenas de canais mudando ao mesmo tempo.
Os sintomas em adultos tendem a ser mais sutis, porém com grande impacto na rotina:
Quando não diagnosticado, o TDAH cobra um preço alto da autoestima. No ambiente de trabalho, o adulto pode sofrer com advertências por atrasos, dificuldade em entregar projetos no prazo ou cometer erros por desatenção a detalhes, o que muitas vezes trava o crescimento profissional.
Nos relacionamentos, o esquecimento de datas importantes ou o hábito de não prestar atenção no que o parceiro está dizendo pode ser interpretado como falta de amor ou descaso, gerando atritos constantes e um sentimento profundo de inadequação.
Com o aumento de informações (e desinformações) nas redes sociais, o autodiagnóstico tem se tornado perigosamente comum. É fundamental entender que problemas de atenção podem ser causados por insônia, ansiedade, depressão ou até disfunções na tireoide.
Por isso, o diagnóstico de TDAH é estritamente clínico e deve ser feito por um especialista. Não existe exame de sangue ou ressonância magnética que confirme o quadro. A avaliação psiquiátrica exige uma investigação detalhada do histórico de vida do paciente desde a infância, entendendo como os sintomas evoluíram e afetaram as diferentes áreas da vida ao longo dos anos.
O tratamento do TDAH em adultos transforma vidas. A abordagem mais eficaz e referendada pela ciência é a combinação entre a prescrição médica e a psicoterapia.
A medicação (como os psicoestimulantes) atua corrigindo a disponibilidade de dopamina e noradrenalina na região frontal do cérebro, funcionando como “óculos” para quem tem miopia: ela devolve o foco, a capacidade de execução e o freio inibitório.
No entanto, apenas tomar o remédio não ensina o paciente a se organizar. É aqui que entra a atuação como analista. Na psicoterapia, trabalharemos lado a lado para reconstruir a sua autoestima, desenvolver estratégias práticas de organização, manejo do tempo e regulação emocional. O objetivo é que você deixe de “sobreviver” aos seus dias e passe a viver com qualidade e equilíbrio.
Referência Bibliográfica
Barkley, R. A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade: Manual para Diagnóstico e Tratamento (4ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2015. (A maior autoridade mundial em TDAH, utilizado para descrever a evolução dos sintomas da hiperatividade motora na infância para a inquietação mental e desatenção na vida adulta).
Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). Diretrizes Clínicas sobre TDAH em Adultos. (Utilizado para os dados sobre impacto no trabalho, relacionamentos e a importância do diagnóstico estritamente clínico).