Endereço:
R. Arcipreste Andrade, 727 - Ipiranga, São Paulo - SP, 04268-020
Whastapp
+5511991585771

Você já deve ter ouvido alguém justificar a arrumação minuciosa de uma gaveta ou a organização de livros por cor dizendo: “Ah, eu tenho muito TOC com essas coisas”.
A popularização desse termo fez com que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) fosse romantizado, frequentemente associado a um simples traço de personalidade de pessoas extremamente limpas, perfeccionistas ou organizadas. No entanto, na realidade clínica, o TOC não tem nada de “peculiar” ou “engraçadinho”. Trata-se de um transtorno psiquiátrico grave, exaustivo e que consome a energia vital de quem sofre com ele.
Para quebrar o estigma, precisamos entender como esse ciclo realmente funciona dentro da mente.
O ponto de partida do TOC não é a ação de limpar ou arrumar, mas sim o pensamento intrusivo, clinicamente chamado de obsessão.
Imagine que a sua mente é invadida repentinamente por imagens perturbadoras, ideias de contaminação, dúvidas paralisantes ou medos absurdos (como o medo irracional de ferir alguém que você ama ou de ter cometido um pecado imperdoável). Você sabe que o pensamento não faz sentido, mas ele se instala na sua cabeça como um “disco arranhado” e gera uma ansiedade esmagadora.
A pessoa com TOC não quer ter esses pensamentos; eles são literais invasores e causam profundo sofrimento moral e angústia.
Para tentar aliviar a ansiedade extrema causada por esse pensamento intrusivo, o paciente desenvolve as compulsões(também chamadas de rituais).
A compulsão é um comportamento repetitivo ou um ato mental que a pessoa se sente obrigada a executar para “evitar” que algo terrível aconteça ou para neutralizar o pensamento ruim.
Por exemplo:
Outros rituais comuns envolvem lavagem excessiva das mãos até ferir a pele, conferência repetitiva de fogões ou interruptores, contar objetos silenciosamente ou repetir frases na mente. O alívio trazido pela compulsão é temporário. Logo o pensamento intrusivo volta, e o ciclo recomeça, escravizando a rotina do paciente.
A boa notícia é que o TOC responde muito bem a tratamentos estruturados, e o paciente pode recuperar a sua liberdade mental.
Como atuo unindo as ferramentas da Psiquiatria e da Psicologia, meu foco é quebrar o ciclo obsessivo-compulsivo em duas frentes:
Você não precisa continuar exausto, brigando com a própria mente. O TOC tem tratamento, e o primeiro passo é a avaliação clínica especializada.
Referência Bibliográfica
Cordioli, A. V. TOC: Manual de Terapia Cognitivo-Comportamental para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (2ª ed.). Porto Alegre: Artmed, 2014. (Maior referência brasileira no tratamento do TOC, utilizado para explicar o ciclo de retroalimentação entre obsessão/pensamento intrusivo e a compulsão/ritual de alívio temporário).
American Psychiatric Association (APA). DSM-5-TR. Artmed, 2023. (Utilizado para a definição clínica de pensamentos intrusivos de conteúdo agressivo, sexual ou religioso, tirando o foco apenas da “limpeza e organização”).