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“Nossa, hoje eu acordei feliz, mas já estou triste. Sou muito bipolar!” É muito provável que você já tenha ouvido (ou até falado) uma frase como essa. Na linguagem do dia a dia, a palavra “bipolar” virou um adjetivo banal para descrever alguém que muda de opinião rápido, tem um temperamento difícil ou simplesmente acorda de mau humor.
Mas, na Psiquiatria, a realidade é muito diferente. O Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) é uma condição médica séria, complexa e que, quando não tratada, causa um sofrimento profundo e devastador para o paciente e sua família.
Para quebrar o estigma e buscar a ajuda correta, precisamos desmistificar o que realmente significa viver com a bipolaridade.
O Transtorno Bipolar é uma doença crônica caracterizada por oscilações extremas e prolongadas na energia, no humor e na capacidade de raciocínio.
Diferente das mudanças de humor naturais que todos nós temos no mesmo dia (como ficar irritado no trânsito e depois relaxar ao chegar em casa), as “fases” da bipolaridade duram dias, semanas ou até meses, afetando drasticamente o comportamento e o funcionamento biológico do cérebro (como a necessidade de sono).
O paciente com Transtorno Bipolar vive entre dois pólos (daí o nome da doença):
A fase depressiva da bipolaridade é clinicamente idêntica à de uma depressão maior severa. A diferença é que os antidepressivos comuns podem não funcionar bem ou, pior, podem “virar” a chave do paciente para a fase de euforia. Neste pólo, os sintomas incluem:
Este é o lado da doença que as pessoas menos compreendem. A fase de Mania não é apenas estar “feliz”; é um estado de excitação e aceleração cerebral tão grave que a pessoa perde o contato com a realidade (podendo ter delírios de grandeza ou alucinações). Os sintomas incluem:
O diagnóstico correto do Transtorno Bipolar é um divisor de águas na vida do paciente. Muitas pessoas passam anos sendo tratadas apenas como “depressivas”, usando medicações que agravam a instabilidade.
O pilar do tratamento médico é o uso de Estabilizadores de Humor (e, em alguns casos, antipsicóticos atípicos), que protegem o cérebro das oscilações extremas.
Aqui, a minha dupla formação como Psiquiatra e Psicóloga traz um benefício direto. Enquanto a psiquiatria ajusta a biologia para trazer o humor de volta ao centro (nem deprimido, nem maníaco), a psicoterapia foca em algo essencial chamado psicoeducação. Juntos, vamos aprender a identificar os “sintomas-gatilho” (como perder o sono) antes que uma crise se instale, organizar a sua rotina (higiene do sono é vital no TAB) e reconstruir a sua qualidade de vida com segurança e estabilidade.